O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Dias Toffoli, derrubou nesta quita-feira (9) a decisão provisória da Justiça do Rio de tirar do ar o especial natalino “A Primeira Tentação de Cristo”, em que Jesus é retratado como homossexual, da produtora Porta dos Fundos.

Para Toffoli, sua decisão “não se trata de um descuido em relação à fé cristã (nem em relação a outras religiões ou a ausência delas)”.

“No entanto, não se pode supor que uma sátira tenha a capacidade de debilitar os valores da fé cristã, cuja existência remota mais de dois mil anos e que está interiorizada na crença da maioria dos cidadãos brasileiros” acrescentou o ministro.

Hoje mais cedo, a plataforma de streaming Netflix havia recorrido à Suprema Corte brasileira sobre a decisão do desembargador Benedicto Abicair.

Até o momento, a produtora Porta dos Fundos não se pronunciou a respeito da decisão do ministro.

No entanto, mais cedo nesta quinta-feira, a produtora comunicou oficialmente ser “contra qualquer ato de censura, violência, ilegalidade, autoritarismo”.

Em comunicado oficial também divulgado hoje, a Netflix havia demonstrado apoio à “expressão artística” e informou que iria “lutar para defender esse importante princípio, que é o coração de grandes histórias”.

Em exibição desde 3 de dezembro, o especial “A Primeira Tentação de Cristo” vem sendo criticada por políticos conservadores, evangélicos e católicos, além de que milhares de pessoas assinaram uma petição no charge.com pedindo o seu cancelamento.

Na última terça-feira, em decisão liminar provisória, o desembargador Benedicto Abicair, acatou o pedido da associação católica Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, e havia determinado que o especial fosse tirado do ar.

Em 24 de dezembro, na véspera de Natal, a sede da produtora, no Rio de Janeiro, foi alvo de um ataque com coquetéis molotov, sem deixar vítimas. Pelo menos quatro pessoas participaram da ação.

Um dos suspeitos identificados pela polícia, Eduardo Fauzi Richard Cerquis, é considerado foragido. Ele, que em 2013 foi preso por agredir o secretário de Ordem Pública do Rio de Janeiro e tem antecedentes que incluem agressões e ameaças, fugiu para a Rússia e por isso integra a lista de difusão vermelha da Interpol. *AFP