Autoridades australianas anunciaram que vão abater até 10 mil camelos e dromedários selvagens que vêm se aproximando de comunidades no interior em busca de água em meio à seca prolongada que atinge o país.

De acordo com as autoridades, as manadas de camelos e dromedários em busca de água estão colocando em risco comunidades aborígenes nessas áreas. As cáfilas também estão competindo com animais nativos, como cangurus, pelas fontes de água cada vez mais escassas.

O plano para eliminar os animais prevê o uso de atiradores posicionados em helicópteros. Na Austrália, tanto os camelos como os dromedários selvagens são chamados de “camelos ferais australianos”.

A matança de camelos e dromedários vai durar cinco dias e ocorrerá nos territórios de Anangu Pitjantjatjara Yankunytjatjara (APY), uma extensa área administrada por um governo local aborígene (AGL) e localizada no extremo noroeste do sul da Austrália. É a primeira operação desse tipo no estado.

Strassenschild: Warnung vor Kamelen, Kängurus und Wombats (picture-alliance/blickwinkel/U. Preuss)Camelos estão competindo com animais pelas fontes de água

O Ministério do Meio Ambiente estadual, que defende o sacrifício dos camelos e dromedários, explicou que a seca também causou “sérios problemas ao bem-estar dos animais”, pois muitos deles morreram de sede, ou ficaram feridos em confrontos ao competir por fontes de água.

“Em alguns casos, as carcaças de animais mortos contaminaram importantes fontes de água”, disse uma porta-voz do Ministério.

Cerca de 20.000 camelos e dromedários foram importados da Índia em aproximadamente 60 anos. Uma vez lançados no interior do país (Outback), onde não há predadores naturais, os camelos se reproduziram e se tornaram uma praga que contamina as fontes de água e ameaça áreas vulneráveis, a flora e a fauna.

Segundo estimativas oficiais, a Austrália tem mais de um milhão desses animais nas áreas centrais do deserto, a maior população de camelos selvagens do mundo.

O canal público do ABC informou que os camelos serão abatidos e seus corpos queimados longe das aldeias.

O número de animais oscilou ao longo das décadas. Calcula-se que havia um milhão na década de 2000, mas a população diminuiu 25% no final dessa década devido à outra seca que causou escassez de água.

Em 2009, as autoridades implementaram um programa para controlar as cáfilas, e a população foi reduzida para 300.000 em 2013, após um massacre de helicópteros em uma área de mais de três milhões de quilômetros quadrados. *Com informações da Deutsche Welle