EUA aplica sanções a 7 deputados venezuelanos, inclusive Luis Parra

O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (13) sanções contra sete parlamentares da Venezuela, incluindo Luis Parra, um opositor autoproclamado presidente do Poder Legislativo ao mesmo tempo em que Juan Guaidó foi reeleito para o mesmo cargo.

“O Tesouro aplicou sanções a sete funcionários corruptos da Assembleia Nacional que, a favor de Maduro, tentaram impedir o processo democrático na Venezuela”, afirmou em comunicado Steven T. Mnuchin, secretário do Tesouro americano.

No último 5 de janeiro, com o apoio de chavistas, Parra assumiu a presidência da Câmara, em uma ação considerada pela oposição venezuelana como sendo um “golpe de Estado”. Mais de 50 países, liderados pelos Estados Unidos, não reconhecem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e consideram Guaidó o mandatário interino.

Em meio a um momento caótico, a eleição de Guaidó ocorreu após forças do Estado impedirem a entrada do político na Câmara, fazendo com que os deputados da oposição tivessem que votar fora da Casa.

Parra, opositor que rompeu com Guaidó há um mês após ser acusado de corrupção, se autoproclamou presidente do Parlamento, em uma sessão sem quórum e apoiado pelo partido de Maduro.

O legislador sofreu sanções do governo americano por supostamente continuar tentando obstruir o funcionamento da Câmara.

Na Venezuela, o Parlamento é o único poder nas mãos da oposição, que agora apresenta-se dividida. Além disso, cerca de trinta legisladores foram para o exílio ou se refugiaram em sedes diplomáticas após processos legais contra eles.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, que ignora todas as decisões do Legislativo desde que a oposição assumiu seu controle, denunciou que Washington busca “minar o bom funcionamento das instituições” com “medidas arbitrárias”.

Segundo Arreaza, as sanções são uma tentativa dos EUA de “ocultar seu manifesto fracasso” em apoiar Guaidó.

– “Inaceitável” –

Guaidó e Estados Unidos afirmam que o governo de Maduro ofereceu subornos a membros da Assembleia Nacional, com o objetivo de derrotar o líder opositor.

Os outros deputados sancionados são Franklyn Duarte e José Noriega, nomeados primeiro e segundo vice-presidentes do Parlamento na mesma na votação em que Parra se autoproclamou chefe da casa, e José Brito, Conrado Pérez, Adolfo Superlano e Negal Morales.

Parra e Brito são acusados de fazer lobby com as autoridades colombianas e dos Estados Unidos em favor do empresário colombiano Carlos Lizcano para libertá-lo da responsabilidade em casos de suposto superfaturamento nos custos de importação de alimentos para o governo Maduro.

Após as denúncias, ambos romperam com Guaidó, mas garantiram que continuam sendo contra Maduro.

“Rejeitamos categoricamente as sanções. É inaceitável que países estrangeiros pretendam condicionar o desempenho e a liberdade de consciência de nossos parlamentares”, afirmou Parra reagindo às sanções.

As sanções impedem o acesso dos citados ao sistema financeiro americano e determinam o congelamento de seus ativos neste circuito financeiro, além de proibir transações com cidadãos dos Estados Unidos.

– “Comprados” –

Julio Borges, comissário de Relações Exteriores de Guaidó, comemorou as sanções, afirmando que todos os indicados foram “comprados com o dinheiro da corrupção da ditadura”.

“Quem trair a Venezuela e se dedicar às manobras da ditadura receberá o castigo da comunidade internacional”, acrescentou Borges.

O líder chavista Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte, que assumiu na prática as funções do Parlamento, recebeu com ironia as novas medidas.

“Certamente essas pessoas estavam rindo de nós”, disse em entrevisto político também sancionado pelos EUA.

“Eles estão recebendo uma colher” do “seu próprio veneno”, acrescentou.

Guaidó lidera a luta pelo poder contra Maduro, a quem a maioria da oposição legislativa declarou “usurpador”, acusando-o de ser reeleito de forma fraudulenta.

Para Guaidó era importante ser reeleito presidente do Parlamento, pois a partir dessa posição ele foi proclamado presidente interino.

Apesar da pressão internacional e de uma crise que deixou a economia arruinada, Maduro permanece no poder com o apoio das Forças Armadas, bem como da Rússia, China e Cuba. *AFP

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