O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, apresentou a renúncia de seu governo ao presidente Vladimir Putin, nesta quarta-feira (15), um anúncio inesperado feito após o discurso do chefe de Estado sobre reformas da Constituição.

“Nós, enquanto governo da Federação da Rússia, devemos dar ao presidente do nosso país os meios de tomar todas as medidas que se impõem. É por esse motivo (…) que o governo, em seu conjunto, entrega a sua demissão”, afirmou Medvedev, segundo agências russas de notícias.

O presidente agradeceu ao seu primeiro-ministro e ao seu gabinete, pedindo que concluísse os assuntos em andamento até a nomeação de uma nova equipe. “Quero agradecer por tudo o que fizeram, expressar minha satisfação com os resultados obtidos (…) mesmo que não tenham conseguido tudo”, declarou o presidente russo.

Medvedev, que sempre foi muito próximo a Vladimir Putin, disse que renunciou após a decisão de seu superior de realizar “mudanças fundamentais na Constituição” russa, reformas que, segundo informou, interferem “no equilíbrio dos Poderes [Executivo, Legislativo e Judiciário]”.

A principal medida anunciada por Putin visa a fortalecer o papel do Legislativo na formação do governo, dando-lhe a prerrogativa de eleger o primeiro-ministro, a quem o presidente será “obrigado a nomear”. Atualmente, a Duma (Câmara dos deputados russa) confirma a escolha do chefe de Estado.

Segundo Putin, essa é uma mudança “significativa”, para a qual ele considera que a Rússia está “razoavelmente madura”. As duas câmaras do Parlamento são hoje dominadas por forças pró-Putin e nunca se opõem aos desejos do Kremlin. Apesar de reforçar os poderes do Parlamento, a reforma proposta por Vladimir Putin preserva o caráter presidencial do sistema político russo, do qual ele está à frente há 20 anos.

Os anúncios feitos durante o discurso anual do presidente perante o Parlamento e elites políticas alimentaram muitas dúvidas sobre o futuro político de Putin depois de 2024, já que até hoje o líder russo nunca apresentou um sucessor ou expressou suas intenções após o fim de seu mandato.

Uma dupla afinada

Dmitri Medvedev foi presidente de 2008 a 2012, uma vez que Putin teve de ceder o posto diante de restrições constitucionais. Neste período, Putin foi chefe de governo. Em 2012, a dupla voltou a trocar de posto.

Nessa quarta-feira, Vladimir Putin chegou a dizer que ofereceria a seu leal colega o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, órgão presidido pelo chefe de Estado. *RFI