Nove pessoas foram mortas na noite de quarta-feira (19) em dois tiroteios em bares shisha em Hanau, no centro da Alemanha, um crime provavelmente “xenófobo”, cujo suposto autor foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira em sua casa.

Hanau, no estado de Hesse, possui cerca de 100 mil habitantes e fica a aproximadamente 25 quilômetros de Frankfurt.

Segundo fontes próximas à investigação, uma carta de confissão e um vídeo foram encontrados. Segundo Peter Neumann, especialista em terrorismo no King’s College London, é um “manifesto de 24 páginas” testemunhando um “ódio a estrangeiros e não brancos”.

“Ele pede o extermínio de vários países do norte da África, Oriente Médio e Ásia Central” usando “termos explicitamente eugênicos, dizendo que a ciência prova que certas raças são superiores”, desenvolve Neumann no Twitter .

Além disso, o suposto autor diz que foi “vigiado a vida toda pelos serviços secretos” e se descreve como um “incel”, um “solteiro involuntário”, “confessando nunca ter tido um relacionamento com uma mulher”, continua Sr. Neumann.

A polícia anunciou por volta das 6:00 da manhã local ter encontrado morto “o provável autor” do crime, ao lado de outra pessoa falecida, sem mais detalhes. Identificado como “Tobias R.” por vários meios de comunicação alemães, o suspeito tinha 43 anos e foi descoberto perto de sua mãe, segundo a cadeia ARD.

Os investigadores também encontraram munições e revistas em seu carro, segundo a imprensa local, acrescentando que o suspeito tinha uma licença de caça.

O número de mortos, inicialmente de oito, subiu para nove no final da noite, quando uma vítima morreu de seus ferimentos, segundo a polícia.

A ameaça do terrorismo de extrema direita preocupa cada vez mais as autoridades alemãs, principalmente desde o assassinato de um representante eleito pró-imigrante alemão, membro do partido da chanceler Angela Merkel, em junho passado.

Na sexta-feira passada, a polícia prendeu 12 suspeitos de integrarem uma célula terrorista de extrema direita que estaria planejando atentados contra mesquitas, políticos e refugiados em vários estados.

Em outubro, um extremista de direita do Holocausto tentou realizar um ataque em uma sinagoga em Halle, um massacre que mal foi evitado. Incapaz de entrar no edifício religioso em que os fiéis haviam se barricado, ele atirou em um transeunte e no cliente de um restaurante de kebab, transmitindo seus pacotes ao vivo pela internet.

Em Dresden, na antiga RDA, oito neonazistas também estão sendo julgados há quase cinco meses por planejar ataques contra estrangeiros e políticos.

A associação Ditib, a principal organização da comunidade muçulmana turca na Alemanha, pediu mais proteção para seus fiéis que “não se sentem mais seguros”. *Com informações da AFP