O Vaticano abre, no dia 2 de Março, os arquivos do período da II Guerra do pontificado de Pio XII, para permitir aos investigadores averiguarem as acusações de que fechou os olhos ao Holocausto. O que vão descobrir, diz a Santa Sé, é que nos bastidores este Papa ajudou os judeus.

“Creio que não vão encontrar nada”, disse o padre Norbert Hofmann, o funcionário do Vaticano encarregado das relações religiosas com os judeus.

Alguns acusam há muito Pio XII, que foi Papa entre 1939 e 1958, de pouco ter feito para ajudar os que eram perseguidos pela Alemanha Nazi e de não ter denunciado o Holocausto, em que foram assassinados seis milhões de judeus.

O Vaticano diz que Pio XII trabalhou nos bastidores para salvar judeus e, por isso, não agravou a situação de muitos dos que corriam riscos, incluindo católicos em algumas partes da Europa ocupada.

Quando Francisco anunciou a abertura dos arquivos, no ano passado, disse que a Igreja Católica “não tem medo da História”, o que foi repetido nesta quinta-feira (20) aos jornalistas.

O bispo Sergio Pagano, prefeito dos Arquivos Apostólicos, disse que os documentos do período da II Guerra contêm milhões de páginas divididas em 121 secções repartidas por tópicos.

A zona de consultas destes arquivos pode acomodar 60 investigadores de cada vez e o espaço já foi reservado até ao final do ano, disse Pagano.

“Não vamos fazer qualquer comentário por agora. Vamos deixar isso aos acadêmicos. O material está ali. E é muito diversificado”, disse Pagano. “Vamos deixar cada pessoa chegar às suas próprias conclusões mas não temos medo. O bem [que Pio XII] fez foi tão grande que vai apagar as poucas sombras que existem”.

Francisco disse que o legado de Pio tem sido tratado com “preconceito e exagero”. Há duas semanas, o Papa lembrou numa mensagem a responsáveis de Roma que muitos conventos e igrejas da capital italiana esconderam judeus durante a ocupação alemã de Itália.

“Pio XII foi um diplomata e tinha uma personalidade tímida, era um homem muito cauteloso”, disse Hofmann, que é alemão. “Perante a circunstância da ocupação, teria sido muito difícil falar demasiado alto”.

Questionado sobre a posição assumida pela Igreja e se Pio XII fez o que podia ter feito no período da guerra, Pagano disse: “Os novos documentos vão corroborar e sublinhar que sim”.  *Público (Portugal)