Adiar os Jogos Olímpicos pode ser inevitável, afirma primeiro-ministro japonês

O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 pode se tornar “inevitável”, admitiu nesta segunda-feira o até então irredutível primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, depois que o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que considera esta possibilidade ante a pressão de atletas e entidades esportivas.

Os comentários de Abe diante do Parlamento japonês foram a primeira admissão do governo de que os Jogos de 2020 podem não começar na data prevista, 24 de julho, já que a pandemia de coronavírus afeta todo o planeta e provoca um cenário caótico sem precedentes.

Alguns minutos depois das declarações de Abe, os Comitês Olímpico e Paralímpico do Canadá anunciaram que não enviarão equipes aos Jogos caso aconteçam na data prevista, alegando a defesa da saúde de seus atletas e do público em geral.

Da mesma forma, o Comitê Olímpico da Austrália recomendou aos atletas do país que se preparem para disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio no verão (hemisfério norte) de 2021.

“Está claro que os Jogos não podem acontecer em julho”, declarou o vice-presidente do Comitê Australiano, Ian Chesterman.

Durante semanas, os funcionários do governo do Japão e do comitê organizador dos Jogos afirmaram que os preparativos avançavam para a celebração das Olimpíadas de acordo com a agenda programada.

Porém, nas últimas semanas aumentou intensamente a pressão das entidades esportivas e dos atletas, que viram seus treinamentos afetados.

Nesta segunda-feira, Abe afirmou ao Parlamento que ainda estava comprometido a organizar Jogos “completos”, mas acrescentou: “Se isto ficar difícil, levando em consideração os atletas em primeiro lugar, pode ser inevitável que tomemos a decisão de adiar”.

“O cancelamento (dos Jogos) não é uma opção”, disse Abe, repetindo os comentários do presidente do COI, Thomas Bach, que na véspera descartou que o evento fosse cancelado.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, alinhou seu discurso com o de Abe nesta segunda-feira, aceitando que o adiamento dos Jogos é uma possibilidade.

O COI também modificou sua posição a respeito dos Jogos e divulgou um comunicado no domingo (22) para anunciar que estava intensificando o planejamento para diferentes cenários, incluindo o adiamento.

A entidade destacou que pretende manter “discussões detalhadas” sobre a “situação da saúde mundial e seu impacto nos Jogos Olímpicos, incluindo o cenário de adiamento”.

A decisão deve acontecer “dentro das próximas quatro semanas”, afirmou o Comitê. “As vidas humanas têm prioridade sobre tudo, incluindo a organização dos Jogos”, escreveu Bach em uma carta aberta aos atletas.

– Atletismo aumenta pressão –

Contudo, o COI alertou que a logística de adiar os Jogos era extremamente complicada, com sedes potencialmente indisponíveis, milhares de quartos de hotel já reservados e um calendário esportivo internacional cheio, além dos evidentes desafios econômicos.

O COI tem estado sob pressão crescente à medida que se propaga a crise do coronavírus, que já deixou mais de 14.300 mortos pelo mundo, segundo o último balanço da AFP.

Os organizadores dos Jogos de Tóquio-2020 informaram nesta segunda-feira que o percurso da tocha olímpica pelo Japão, que deve começar nesta quinta-feira (26) em Fukushima, será mantido “por enquanto”.

Também nesta segunda-feira, a poderosa Federação Internacional de Atletismo (IAAF), responsável pelas modalidades olímpicas mais tradicionais, se declarou favorável ao adiamento dos Jogos.

“Embora todos saibamos que diferentes partes do mundo atravessam diferentes etapas do vírus, a opinião unânime em todas nossas áreas é que realizar Jogos Olímpicos em julho deste ano não é nem factível nem desejável”, escreveu o presidente da IAAF, Sebastian Coe, em carta endereçada ao COI escrita antes da reunião que o entidade olímpica celebrou no domingo.

A ideia de organizar os Jogos nas datas previstas vem encontrando uma resistência crescente no mundo do esporte.

O lendário ex-velocista americano Carl Lewis sugeriu no domingo que o evento fosse adiado para 2022, uma solução que afirmou ser “mais prática”.

A hipótese de um adiamento é majoritária entre os atletas americanos, segundo enquete realizada no domingo. A delegação americana é tradicionalmente a mais importante, tanto em números de atletas como em medalhas conquistadas, nos Jogos Olímpicos. *AFP

Categorias:Esporte, Internacional

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