Congo e a fábrica de chocolates: novo produtor atinge o ponto ideal

Aisha Kalinda derrete os pedaços de cacau em uma panela e coloca a calda marrom em um molde que se tornará a barra mais recente produzida na fábrica de chocolate Lowa, o primeiro produtor local na República Democrática do Congo.

Durante décadas, as riquezas subterrâneas do leste do Congo, como ouro e coltan, foram objetos de violência e mortes na região.

Mas antes que o país desmoronasse nos anos 90, a província de Kivu do Norte também exportava riquezas acima do solo, como café e cacau.

“As pessoas têm essa ignorância de olhar para o chocolate como se fosse algo do exterior, que não pode ser fabricado na África”, disse Kalinda, mexendo na panela. “Decidimos quebrar essa regra.”

Impulsionados pelo aumento do interesse do consumidor na proveniência de ingredientes, cacau e café passam por um renascimento no Congo, disse Kevin Wilkins, especialista em cacau da ELAN DRC, programa de auxílio e desenvolvimento do setor privado do Reino Unido.

Prosperando nos ricos solos vulcânicos, os grãos atraíram o interesse de marcas como a cadeia de café Starbucks e o chocolatier Theo Chocolate.

As exportações subiram para 11.000 toneladas em 2016, ante 600 toneladas em 2000, mostram dados do governo.

Mas, embora as grandes marcas ofereçam empregos e valiosos ganhos de exportação para o país, os chocólatras congoleses têm, há muitos anos, sidos privados do prazer de usufruir de sua própria produção.

Em 2014, o avô de Kalinda, Kalinda Salumu, sonhava em transformar plantações abandonadas após a independência do Congo em cooperativas de produção para exportar os grãos ao exterior.

Em 2018, sua primeira colheita de 200 kg não foi suficiente para atingir o mínimo legal de exportação, então ele enviou seu filho para Kampala, capital de Uganda, para se graduar como chocolatier.

“Temos cacau, até o melhor cacau de todo o cacau do mundo”, diz Salumu, feliz.

No ano passado, a família inaugurou a fábrica de Lowa, em homenagem ao rio próximo ao local onde o grão é cultivado, 150 km a oeste da capital da província Goma.

Sem equipamentos modernos e sofisticados, sua produção é escassa, apenas 2 kg (4,40 lb) por dia, mas as barras de chocolate encontraram um número dedicado de seguidores em Goma.

Em um supermercado local, Baritegera Nikuse Gloria comprou uma barra por US $ 5. Ela gosta porque o produto é local e orgânico.

“Desde que provei esse chocolate, não consigo mais deixar de comprar.”