Alemanha pede que OMS apresse autoavaliação de reação à pandemia

O ministro da Saúde da Alemanha fez um apelo à Organização Mundial da Saúde (OMS) para que apresse uma avaliação da reação da agência à pandemia, aparentemente assinalando um endurecimento da Europa com a entidade da Organização das Nações Unidas (ONU).

Berlim, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia, vem blindando a organização das críticas mais intensas dos Estados Unidos, que quer sair da OMS devido à sua suposta proximidade excessiva da China.

Mas agora a Alemanha parece estar adotando uma posição mais contundente.

Jens Spahn disse aos repórteres que debateu a questão da maneira como a OMS administra a crise com seu chefe, Tedros Adhanom Ghebreyesus, duas vezes nos últimos 20 dias.

“Nas duas conversas, eu o incentivei muito claramente a lançar esta comissão independente de especialistas e a agilizar seu lançamento”, disse Spahn.

Na semana passada, a OMS disse que está montando uma comissão independente para analisar seu manejo da pandemia de Covid-19 e a reação dos governos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa a OMS de ser próxima demais da China e de não fazer o suficiente para questionar as ações de Pequim no início da crise. Tedros refutou as insinuações e disse que a agência mantém o mundo informado.

Ele ainda disse que a comissão providenciará um relatório provisório durante uma reunião anual de ministros da Saúde em novembro e um “relatório substantivo” em maio.

Spahn disse que a análise é importante agora, apesar de a pandemia ainda estar assolando o planeta, “porque já podemos tirar conclusões”.

Isto poderia levar a ações rápidas a respeito da governança da entidade e melhorar a “cooperação entre o nível político e o científico” da organização, acrescentou o alemão.

Governos da UE disseram que a análise deveria ser seguida por uma reforma da OMS, uma possibilidade já debatida com os EUA e outros membros do G7, disseram autoridades à Reuters.

Uma delas disse que o objeto é garantir a independência da OMS.

-BRUXELAS/BERLIM (Reuters)-

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