Começa julgamento de acusado por ataque a sinagoga na Alemanha

O homem acusado de cometer um dos piores atentados antissemitas na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial começa a ser julgado nesta terça-feira (21) em Magdeburg, no leste do país.

Stephan B., de 28 anos, é acusado de atacar uma sinagoga durante o feriado judaico do Yom Kippur, na cidade de Halle, no ano passado.

Em 9 de outubro de 2019, o jovem, vestindo roupas militares e fortemente armado, lançou um explosivo sobre o muro de um cemitério judaico e tentou entrar na sinagoga local, onde estavam 52 pessoas.

Sem conseguir acessar o templo, o agressor, que transmitia o ataque ao vivo na internet, começou a disparar contra pedestres. Ainda perto da sinagoga, ele matou uma mulher que passava pelo local e efetuou disparos contra os clientes de uma lanchonete turca, a duas quadras da sinagoga, matando um homem. Outras duas pessoas ficaram feridas.

De acordo com a acusação, Stephan B. cometeu “um ataque contra cidadãos de fé judaica com um motivo antissemita, racista e xenófobo”. Segundo a Justiça alemã, o agressor tentou “cometer um massacre”, que só não ocorreu devido à solidez da porta da sinagoga, que estava trancada.

Meses após ataque a sinagoga na Alemanha, judeus ainda se sentem ameaçados

O suspeito, que confessou o crime e a motivação antissemita, está sob custódia desde o dia do ataque. Entre outros crimes, ele é acusado de duplo assassinato e 68 tentativas de assassinato e pode ser sentenciado à prisão perpétua. Em maio, Stephan B. tentou fugir da prisão, o que provocou indignação da comunidade judaica.

O réu conseguiu escapar da vigilância dos guardas, subiu um muro de 3,4 metros de altura e entrou em um edifício penitenciário adjacente sem ser visto. Ao não encontrar saída, foi detido sem resistência. O incidente fez com que uma secretária de Justiça fosse afastada do cargo.

A Justiça de Oberlandesgericht Naumburg é a responsável pelo julgamento. No entanto, por razões de espaço, as atividades foram transferidas para o tribunal regional de Magdeburg. Em frente ao local, um grupo de pessoas realizou uma manifestação em solidariedade às vítimas na manhã desta terça-feira. A previsão é que o julgamento se estenda por 18 dias.

Christina Feist, que estava na sinagoga no dia do ataque e é uma das coautoras do processo ao lado de outras cerca de 40 pessoas, disse que existe um antissemitismo cotidiano na Alemanha. Ela pediu coragem civil e afirmou que é hora “de finalmente reconhecermos essa verdade vergonhosa”. 

Representantes religiosos exigem uma punição severa. “O homem deveria ser punido com toda a dureza da lei”, disse a ex-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Charlotte Knobloch.

Stephan B. vivia socialmente isolado e havia abandonara os estudos. Adepto de teorias da conspiração neonazistas, ele morava com a mãe e passava a maior parte do tempo na internet.

O julgamento ocorre em um delicado momento de ressurgimento do terrorismo de extrema direita na Alemanha. Há um mês, teve início o julgamento de um simpatizante neonazista, suspeito de ter matado um político favorável ao acolhimento de migrantes na Alemanha. Em fevereiro deste ano, um homem racista e antissemita matou nove pessoas de origem estrangeira em Hanau, perto de Frankfurt. – Deutsche Welle

Categorias:Europa, Segurança

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