Gatos morrem de fome na “Ilha do Gatos” no RJ

A Ilha de Furtada, conhecida amplamente como “Ilha dos Gatos”, fica a 20 minutos de lancha da cidade de Mangaratiba, em um extremo da Costa Verde do Brasil, uma vasta faixa de floresta tropical montanhosa e enseadas arenosas pontilhadas com centenas de ilhas.

Ao longo dos anos, pescadores jogavam tripas de peixe, enquanto outros deixavam tigelas de água e comida de gato. Isso alimentou as centenas de gatos da ilha, particularmente os recém-abandonados que não têm as habilidades de seus irmãos selvagens, que sobem em árvores para invadir ninhos de pássaros.

Quando a pandemia forçou as pessoas a entrarem em quarentena, o turismo diminui e restaurantes fecharam, o tráfego de barcos ao redor da ilha caiu bruscamente — e com ela, a comida e a água depositadas lá. Os moradores não perceberam o horror que ocorria ilha até que pescadores começaram a relatar a situação em abril.

“O número de barcos caiu, o número de turistas, e vimos a condição desses animais na ilha”, disse Jorge de Morais, 58 anos, que trabalha com um grupo local que resgata animais de abusos. “Então nos mobilizamos”.

Ele e outros voluntários pediram doações às empresas locais. Em abril, eles começaram a instalar distribuidores de alimentos e água, feitos de tubos de PVC, e agora fazem viagens semanais para reabastecê-los.

Os cerca de 250 gatos da ilha tiveram suas origens devido a um casal que era o único residente da ilha há cerca de duas décadas, explicou Puchalski, 47. Eles foram embora e deixaram para trás seus dois gatos. À medida que a população de gatos crescia, as pessoas acreditavam ter encontrado um local para deixar gatos indesejados e perdidos.

Não há nascentes na ilha, e a água potável limitada causa problemas renais frequentes para os gatos. Mas os maiores perigos são as víboras e lagartos que atacam os felinos constantemente. Alguns gatos ficam feridos quando os barqueiros jogam-nos nas rochas.

Os voluntários transportam os gatos para a costa conforme necessário, para tratamento ou cirurgia. Eles tentam encontrar alguém para adotar cada animal e, caso contrário, levam de volta para a ilha para que possam atender outros que necessitam de cuidados médicos.

(AP)