Governo boliviano convida opositor venezuelano à posse de Luis Arce

O governo em fim de mandato na Bolívia convidou o líder opositor da Venezuela, Juan Guaidó, à posse do presidente boliviano eleito, Luis Arce, confirmou nesta sexta-feira (30) a chancelaria em La Paz.

“Sua presença fortalecerá ainda mais os tradicionais laços de amizade, cooperação e solidariedade que existem entre a Venezuela e a Bolívia”, diz a nota assinada pela chanceler, Karen Longaric.

A carta está dirigida a Guaidó, considerado “presidente da República Bolivariana da Venezuela”.

Como presidente do Parlamento venezuelano – único poder na mão da oposição -, Guaidó reivindicou em janeiro de 2019 a presidência interina, depois que a Câmara declarou “usurpador” o presidente Nicolás Maduro, acusando-o de ter sido reeleito mediante fraude em maio de 2018.

O governo em fim de mandato da Bolívia, chefiado pela presidente Jeanine Áñez (direita), reconhece Guaidó como presidente encarregado da Venezuela, assim como meia centena de países.

A chancelaria boliviana confirmou, assim, que Maduro não será convidado à posse de Arce, afilhado político do ex-presidente Evo Morales (2006-2019).

Maduro é um aliado próximo de Morales e o partido dele e de Arce, o Movimento ao Socialismo (MAS).

O MAS expressou incômodo com o gesto do governo, apesar de ter se estabelecido uma comissão de transição para coordenar a organização e o protocolo dos atos de posse de Arce, em 8 de novembro.

No domingo passado, Maduro informou que se encontrou com Morales durante uma rápida visita do ex-presidente boliviano a Caracas.

As eleições bolivianas de outubro de 2019, nas quais Morales tentava um quarto mandato, foram anuladas por denúncias de fraude. Em meio a violentos distúrbios, Evo renunciou e exilou-se na Argentina.

Então, Áñez assumiu a Presidência interina e em novembro rompeu relações com o governo Maduro, que tinham sido muito próximas durante os 14 anos em que Morales esteve no poder.

A presidente denunciou a intromissão da Venezuela nos assuntos internos da Bolívia e também determinou a saída do bloco político-econômico Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), impulsionado pelo falecido presidente venezuelano, Hugo Chávez.

(AFP)

Categorias:Américas, Política

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