Walmart venderá operações na Argentina atingida pela recessão

A Walmart, maior varejista do mundo, disse nesta sexta-feira que estava vendendo suas operações de varejo na Argentina para o dono da rede de supermercados sul-americana Grupo de Narváez, recuando enquanto o país enfrenta uma crise econômica.

 A empresa nortte-americana não divulgou o tamanho do negócio para operações de varejo envolvendo mais de 90 lojas, mas disse que registraria cerca de US$ 1 bilhão, perda não monetária relacionada à alienação em seu terceiro trimestre fiscal no próximo ano.

A venda ocorre quando a Argentina, atolada em recessão desde 2018, acaba de sair de um calote soberano e está enfrentando uma crise cambial. O governo tem evitado falar que as empresas internacionais estão deixando o país.

“Na Argentina você vê um fenômeno de desinvestimento de empresas, e empresas mudando de mãos, refletindo uma falta de confiança na direção do país”, disse Guido Lorenzo, economista da consultoria LCG, acrescentando que havia uma enorme incerteza sobre a política.

“A Argentina não tem regras claras do jogo.”

O Walmart vendeu a maior parte de sua unidade no Brasil em 2018, embora mantenha grandes operações no Chile e no México. A saída de seus negócios na Argentina, onde começou a operar em 1995 e atualmente conta com cerca de 9.000 funcionários em 92 lojas, incluiria suas populares redes Changomas e Punto Mayorista.

O mal-estar econômico e a incerteza atingiram as corporações no país e levaram outros a recuar, incluindo o Grupo LATAM Airlines e o a loja de departamentos Falabella.

O governo tem procurado minimizar a narrativa de que as empresas internacionais estão abandonando o país sobre o que os críticos descreveram como políticas anti-investimento, e dizem que os planos para reviver o crescimento atrairão fundos mais uma vez.

“Embora o cenário global e local seja complexo e, apesar do mito de um ‘êxodo’, a verdade é que há empresas que continuam apostando no país e anunciando investimentos todas as semanas”, disse o Ministério do Desenvolvimento em um relatório aqui este mês.

Thomaz Favaro, diretor regional da consultoria Control Risks, disse que as empresas estavam preocupadas com as finanças públicas da Argentina, juntamente com uma “ampla gama” de riscos políticos, incluindo controles de capital, impostos de exportação e desapropriações.

Após a aquisição, o Grupo de Narváez, de propriedade familiar, terá 656 lojas, incluindo supermercados, lojas de vestuário e eletrodomésticos em nove países, incluindo Equador e Uruguai, e empregará mais de 24.500 trabalhadores.

(Reuters)

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