Depois de Trump, Europa pretende mostrar a Biden que pode lutar por si mesma

A era Donald Trump pode estar chegando ao fim. Mas os ministros da União Europeia reunidos esta semana para discutir o futuro da defesa do continente dirão que a lição foi aprendida: a Europa precisa ser forte o suficiente para lutar por conta própria.

Os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da UE, reunidos por teleconferência na quinta e sexta-feira, receberão o primeiro relatório anual do bloco sobre capacidades conjuntas de defesa, que deverá servir de base para um esforço, pós-Brexit, liderado pela França, para transformar a UE em uma potência militar independente.

O presidente eleito Joe Biden não usará a retórica de confrontação de seu antecessor em relação aos aliados, mas ele não vai alterar a mensagem dos EUA de que a Europa precisa contribuir mais para sua própria defesa, dizem diplomatas europeus.

“Não estamos no antigo status quo, onde podemos fingir que a presidência de Donald Trump nunca existiu e que o mundo era o mesmo de quatro anos atrás”, disse um diplomata francês.

Um funcionário da UE disse que a vitória de Biden foi “um apelo à Europa para continuar construindo uma defesa comum da UE, para ser um aliado útil e forte, e também para a aliança do NATO”.

A UE trabalha desde dezembro de 2017 para desenvolver mais poder de fogo independentemente dos Estados Unidos. O esforço tem sido impulsionado principalmente pela França, a representante do poder militar da UE após o Brexit.

Durante a adesão britânica, Londres representava o papel militar para a UE, e em relação ao NATO como a principal para a defesa europeia. Sua saída dá a Paris a oportunidade de usar ambições de longa data para um papel maior da UE na defesa, com um apoio mais cauteloso de Berlim.

“Os Estados Unidos só nos respeitarão como aliados se levarmos a sério nossa própria posição, e se tivermos nossa própria soberania em relação à nossa defesa”, disse o presidente francês Emmanuel Macron em uma entrevista no domingo.

Trump era abertamente hostil ao NATO, criticando rotineiramente os países europeus por gastarem muito pouco em defesa e descrevendo aliados que gastam menos de 2% da produção nacional como “delinquentes”. Mas as administrações anteriores dos EUA também pediram à Europa que gastasse mais.

Em uma coluna conjunta para a mídia europeia e americana na segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores francês e alemão disseram que estavam comprometidos em “tornar a parceria transatlântica mais equilibrada”.

Espera-se que a Revisão Anual Coordenada sobre Defesa da UE identifique a falta de tecnologia de drones, o envelhecimento das aeronaves e a duplicação de armas entre os membros da UE.

TENSÕES FRANCO-ALEMÃS

O principal diplomata da UE, Josep Borrell, disse aos embaixadores da UE no final da semana passada que a UE precisa “praticar a linguagem do poder, não apenas falar”.

Enquanto a UE já está trabalhando em projetos conjuntos e reservará 8 bilhões de euros (US$ 9,46 bilhões) a partir do próximo ano para um fundo de desenvolvimento de armas, o bloco precisa de pelo menos uma década para ter qualquer independência militar de Washington, dizem especialistas.

Também estão surgindo diferenças entre a França e a Alemanha, com Berlim vendo de forma cética relações a iniciativas fora do NATO. A ministra da Defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrenbauer, disse que os europeus não podem esperar substituir o sistema de armas nucleares dos EUA.

A França, por sua vez, vem travando uma guerra na região do Sahel, no noroeste da África, há vários anos, no que vê como uma operação para defender o flanco sul da Europa do extremismo islâmico. Até agora, teve apenas um sucesso limitado em convencer outros países europeus a se juntarem à missão.

(Reuters)

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