Vírus em Manaus pode resistir a imunidade criada por infecções anteriores

A cepa do coronavírus identificada no Amazonas pode contaminar pessoas com imunidade criada por infecções anteriores, de acordo com artigo científico publicado na revista científica britânica The Lancet na última 4ª feira (27.jan.2021).

O estudo foi produzido por 23 cientistas de diferentes países, incluindo pesquisadores brasileiros da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). O título do artigo é “Ressurgimento do covid-19 em Manaus, apesar da alta soroprevalência”.

A pesquisa se baseia no números de casos, hospitalizações e mortes por covid-19 para analisar as características de transmissibilidade das linhagens do coronavírus em circulação na capital amazonense.

De acordo com os cientistas, as festas de fim de ano aceleraram a disseminação do vírus na cidade. Os pesquisadores alertam, no entanto, que esse não é o único motivo para o recrudescimento da pandemia em Manaus.

O estudo aponta que uma análise feita de doadores de sangue na capital do Amazonas mostrou que 76% da população já havia sido infectada com Sars-CoV-2 em outubro de 2020.

Segundo eles, o percentual de pessoas contaminadas estaria acima do limite teórico da imunidade de rebanho (aproximadamente 67%). Por isso, afirmam que a variante amazônica pode resistir à imunidade apresentada por pessoas que já foram infectadas.

As novas linhagens do coronavírus, de acordo com a análise, possuem proteínas capazes de ignorar qualquer rastro de anticorpos que foram produzidos na 1ª infecção.

Os cientistas também apontam, no entanto, que o número de pessoas que foram diagnosticadas com a covid-19 na capital do Amazonas pode ter sido subestimado.

Outro fator levantado pela pesquisa é que o tempo decorrido do pico da 1ª onda da pandemia na cidade, em abril, até as festas de final de ano pode ter causado uma perda da imunidade coletiva.

“Os anticorpos criados na primeira infecção talvez não durem muito tempo, e, em dezembro, uma porcentagem maior da população estaria desprotegida”, afirma trecho do estudo.

Os cientistas concluem que as linhagens que circulam na 2ª onda em Manaus podem ter transmissibilidade inerente mais alta do que as linhagens preexistentes que circulam na capital do Amazonas.

Os autores pedem que a comunidade científica investigue rapidamente as características genéticas, imunológicas, clínicas e epidemiológicas das linhagens do coronavírus que circulam em Manaus.

“Dados de rastreamento de contato e investigação de surtos são necessários para entender melhor a transmissibilidade relativa dessa linhagem”, escrevem.

Os cientistas ainda destacam a necessidade de orientar laboratórios que produzem vacinas para que incluam as novas variantes no sistema “central” dos imunizantes.

CEPA AMAZÔNICA

Análises feitas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) apontam que a variante do coronavírus foi identificada pela 1ª vez em 4 pessoas que estiveram em viagem no Brasil e chegaram a Tóquio, no Japão, no início de janeiro.

As autoridades sanitárias japonesas informaram ao Ministério da Saúde em 9 de janeiro que a nova variante possui 12 mutações, sendo que uma delas é a mesma encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e na África do Sul.

(Poder360)

Categorias:Brasil, Educação e Cultura

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