Colônias de ratos-toupeira-pelados têm dialeto próprio – definido pela rainha

Os ratos-toupeira-pelados (Heterocephalus glaber) são conhecidos por suas várias excentricidades. Eles vivem mais do que qualquer roedor, chegando facilmente aos 30 anos, são altamente tolerantes à dor e raramente desenvolvem câncer. Um de seus pontos mais curiosos é que, assim como abelhas e formigas, estes animais vivem em colônias de operárias governadas por uma matriarca reprodutora – a famosa rainha. Mas os ratos-toupeira-pelados não param de surpreender cientistas. Agora, pesquisadores descobriram que esses animais, que se comunicam por gorjeios, possuem dialetos próprios para cada colônia, o qual é resguardado pela rainha.

O artigo que descreve a descoberta foi publicado na revista Science. Para o estudo, os cientistas registraram ao longo de dois anos mais de 36 mil gorjeios de 166 animais, que viviam em sete colônias de laboratórios alemães e sul-africanos. Então, os pesquisadores desenvolveram um software capaz de classificar os sons por suas características acústicas. Tendo os padrões sonoros, o programa identificava a qual colônia cada gorjeio pertencia. 

Com a divisão feita, os pesquisadores apresentavam os gorjeios aos próprios animais que, como esperado, eram mais propensos a responder quando o som pertencia ao de sua colônia. Os pesquisadores acreditam que os ratos-toupeira-pelados desenvolveram esta habilidade para identificar intrusos, os quais costumam ser mortos pelos nativos. Eles são animais quase cegos e que vivem na escuridão, debaixo da terra, tendo a interpretação dos sinais sonoros como principal artimanha na hora de desmascarar visitantes indesejados.

Os roedores aprendem o dialeto de suas colônias ainda jovens, assim como os humanos. Pense, por exemplo, em filhos de pais nordestinos criados em São Paulo. É comum que eles tenham um sotaque diferente de seus familiares. Ao colocar filhotes recém-nascidos de ratos-toupeira em colônias estrangeiras, os cientistas notaram comportamento semelhante, em que os animais adotavam o novo dialeto em seis meses.  

Os pesquisadores também notaram que o dialeto era criado e mantido pela rainha de cada colônia. Durante os experimentos, duas delas foram mortas, o que levou os animais a abandonar o dialeto padrão e agir individualmente. Eles só voltaram a gorjear de forma uniforme quando uma nova rainha foi selecionada.

Mas a forma como as matriarcas exercem o controle sobre o dialeto ainda é um mistério.  Essa foi a primeira vez que pesquisadores relataram aprendizagem vocal em roedores. Agora, os cientistas acreditam que os ratos-toupeira podem ajudar no entendimento sobre como esta prática evoluiu em diferentes animais.

O próximo passo da pesquisa envolve a investigação genética do animal para identificar traços evolutivos de linguagem. 

(Mundo Estranho)

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