Macron promete “geração sem tabaco” e aumenta investimentos para combater o câncer

O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira (4), Dia Mundial de Combate ao Câncer, um aumento de 20% no orçamento para lutar contra a doença, primeira causa de morte entre os homens do país e segunda entre as mulheres. Um dos focos principais para os próximos anos será conter o consumo de álcool e o tabagismo, dois fatores agravantes para a patologia.

© AP – Ludovic Marin

O chefe de Estado anunciou um orçamento de € 1,7 bilhão (cerca de R$ 11 bilhões) para a luta contra o câncer nos próximos cinco anos. Macron enfatizou que além da pesquisa contra a doença, uma parte da verba será investida no combate ao tabagismo.

O governo pretende agir em vários âmbitos, com ações que vão desde o aumento do preço do cigarro, até a multiplicação de espaços não fumantes, passando por campanhas de informação sobre a toxicidade do produto e programas de acompanhamento para os que desejam parar de fumar. “Gostaria que a geração que terá 20 anos em 2030 seja a primeira geração sem tabaco da história recente”, disse o presidente, reiterando uma de suas promessas de campanha.

Já no que diz respeito às bebidas alcoólicas, origem comprovada de um quinto dos casos de câncer que poderiam ser evitados, Macron foi mais comedido. “Não se trata de eliminar o álcool, e sim de prevenir os excessos e ajudar aqueles que vivem em uma forma de dependência a se livrarem dela”, disse o chefe de Estado, que promete ações específicas voltadas principalmente para os jovens.  

Dois pesos e duas medidas

Essa diferença de tom entre a prevenção visando o cigarro e o álcool não agrada os especialistas da luta contra o câncer.

“O presidente Macron lembrou que uma das principais armas para reduzir o consumo de cigarros é atingir o consumidor pelo bolso, aumentando os preços, mas nada do gênero foi anunciado sobre o álcool”, notou Axel Kahn, presidente da Liga Francesa contra o Câncer, em entrevista à RFI. “Sempre encontramos obstáculos quando tentamos criar taxas para tornar mais difícil o acesso à alcoolização em massa dos jovens, por exemplo, com as cervejas que apresentam alto teor alcoólico. Até agora a luta contra o alcoolismo foi uma espécie de ‘buraco negro’ da saúde pública e não tenho a impressão que isso vai mudar”, criticou Kahn.

Covid-19 tornou luta contra o câncer mais difícil

O presidente da Liga também chama a atenção para o impacto da pandemia de Covid-19 na luta contra o câncer, já que em muitos lugares os profissionais da saúde passaram o ano cuidando de pacientes do novo vírus e que boa parte dos meios humanos e financeiros se concentraram no coronavírus.

O alerta de Kahn também foi dado pela OMS, que fala de um “impacto catastrófico”, principalmente na Europa. Entre os 53 países da região, um em cada três interrompeu parcial ou completamente os serviços de oncologia devido à mobilização contra a pandemia e as restrições de viagens.

“Todos os anos temos cerca de 400 mil novos casos de câncer diagnosticados na França e em 2020 registramos um déficit de 23%, ou seja, 100 mil casos de câncer que deveriam ter sido diagnosticados e tratados não o foram”, contabiliza Kahn.

Durante o primeiro confinamento, em 2020, Holanda e Bélgica tiveram queda de entre 30% e 40% dos casos de câncer diagnosticados. No Reino Unido, os atrasos nos diagnósticos e no tratamento provocarão um aumento de 15% da mortalidade por câncer colorretal e de 9% por câncer de mama nos próximos cinco anos, prevê a OMS.

(RFI Brasil)

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