Ao menos 24 mortos em inundação de fábrica têxtil ilegal em cidade marroquina

Pelo menos 24 pessoas, surpreendidas por uma enchente causada por chuvas torrenciais, morreram nesta segunda-feira (8) em uma fábrica clandestina instalada no porão de uma casa em Tânger (norte de Marrocos), de acordo com um balanço fornecido pela agência oficial MAP, citando autoridades locais.

Pelo menos 24 pessoas morreram na inundação de uma fábrica em Tânger (Marrocos) em 8 de fevereiro de 2021© – Pelo menos 24 pessoas morreram na inundação de uma fábrica em Tânger (Marrocos) em 8 de fevereiro de 2021Muitos socorristas intervieram em Tânger (Marrocos) em 8 de fevereiro de 2021© – Muitos socorristas intervieram em Tânger (Marrocos) em 8 de fevereiro de 2021

As equipes de resgate recuperaram vinte e quatro corpos, bem como dez sobreviventes, que foram levados para hospitais, e continuam suas buscas, informou a mesma fonte. 

Representantes das autoridades, presentes no local, relataram 25 mortos – 17 mulheres e 8 homens com entre 20 e 40 anos -, segundo um jornalista local contatado pela AFP.

Imagens veiculadas pela mídia local mostraram equipes de resgate evacuando corpos em macas, sob os olhares de moradores traumatizados, com um balé de ambulâncias na área residencial no sul da cidade portuária de Tânger. 

Os trabalhadores foram salvos graças a um morador local que os ajudou a sair do porão inundado com uma corda, segundo depoimento coletado pelo jornalista local, corroborado por imagens veiculadas no YouTube. 

Alguns meios de comunicação locais relataram um problema de eletrocussão, mas esta informação não foi confirmada pelas autoridades.

Foi aberta uma investigação judicial “para elucidar as circunstâncias” e “para determinar as responsabilidades” da tragédia, segundo MAP.

Nas redes sociais, os internautas se perguntavam como a fábrica conseguiu operar de forma clandestina até a tragédia que ocorreu na madrugada desta segunda-feira.

– “Noras legais” –

Mais da metade (54%) da produção do setor “têxtil e de couro” do Marrocos vem de unidades “informais”, incluindo unidades de produção “que não cumprem as normas legais”, de acordo com um estudo publicado em 2018 pela Confederação dos Empregadores de Marrocos (CGEM ).

A economia informal representou um total de mais de 20% do produto interno bruto excluindo o setor primário em 2014, ou cerca de 170 bilhões de dirhans (cerca de 15 milhões de euros), sendo o setor têxtil responsável por 11% deste volume, segundo a mesma fonte.

Marrocos experimentou fortes chuvas nas últimas semanas, após um longo período de seca.

As tempestades causaram o desabamento de casas em Casablanca, a capital econômica do país, no início de janeiro, matando pelo menos quatro pessoas e ferindo várias, segundo a mídia local. 

Frequentemente associada, no campo, a um fenômeno de cheia repentina de rios secos e, na cidade, à falta de sistemas de canalização de esgotos, as inundações fazem regularmente vítimas em Marrocos. 

Este é “o primeiro risco em termos de pessoas mortas a nível nacional”, de acordo com um relatório sobre riscos climáticos publicado em 2016 pelo Instituto Real de Estudos Estratégicos (Ires).

Em setembro de 2019, o transbordamento de um rio carregou vinte e quatro passageiros de um ônibus na região de Errachidia (sudeste). Poucos dias antes, o repentino aumento da água em um campo de futebol matou sete pessoas na região de Taroudant (sudoeste).

Em 2014, inundações associadas a chuvas torrenciais mataram cerca de 50 pessoas e causaram danos consideráveis no sul do país.

(AFP)

Categorias:Mundo

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