Onda verde levará tonelada do cobre a US$ 15.000, diz Trafigura

 A maior trading de cobre do mundo espera que a tonelada do metal atinja US$ 15.000 na próxima década porque a demanda resultante da descarbonização global vai gerar um enorme déficit nesse mercado.

Mesmo nos primeiros estágios da crise da Covid-19, a Trafigura estava apostando na recuperação. O preço do cobre dobrou no último ano e passou de US$ 9.000. Agora, a gigante de commodities vê o metal superando recordes e passando de US$ 10.000 à medida que as economias ocidentais saem da pandemia e a revolução verde se consolida, explicou Kostas Bintas, chefe de negociação de cobre, em entrevista.

Até agora, a alta tem sido impulsionada por interrupções na oferta relacionadas ao coronavírus e a uma onda de compras sem precedentes pela China, que consome metade do cobre do mundo. Mas com a disparada do investimento global em energia renovável e infraestrutura para veículos elétricos nos próximos anos, a Trafigura antecipa avanço ainda maior do preço da matéria-prima que é referência do segmento.

“Achávamos que o cobre sairia dessa crise da Covid mais forte e foi exatamente o que aconteceu”, disse Bintas. “O que a Covid fez foi tornar o resto do mundo um fator importante para o crescimento do consumo, em comparação com o passado, quando só a China importava para o cobre.”

A Trafigura espera que o metal ultrapasse a marca de US$ 10.000 a tonelada neste ano e passe para a faixa de US$ 12.000 a US$ 15.000 durante a próxima década. Outras instituições bastante otimistas com o cobre — incluindo Goldman Sachs, Bank of America e Citigroup — têm previsões similares para o curto prazo, mas a Trafigura se destacou com o preço-alvo de longo prazo bastante robusto.

O Goldman espera que o cobre atinja US$ 10.500 em 12 meses, enquanto o Citi prevê US$ 12.000 no próximo ano no cenário mais otimista. Para a Trafigura, este será o piso nos próximos anos, à medida que o metal é reavaliado.

“Não dá para migrar para um ambiente econômico verde sem haver uma alta significativa do cobre”, disse Bintas. “Como pode acontecer um sem o outro?”

A urbanização da China fez a cotação bater recordes no passado, mas a expectativa da trading é que o resto do mundo desempenhe um papel mais relevante desta vez.

“A China está mantendo seu lado da equação”, acrescentou Graeme Train, economista sênior da Trafigura. “E no resto do mundo, realmente começamos a observar uma mudança nas condições de demanda.”

Salto na demanda

A Trafigura vendeu 4,4 milhões de toneladas de cobre em 2020, ampliando sua liderança sobre a Glencore como maior negociadora do metal no planeta. Diferentemente da Glencore, a Trafigura evitou comprar minas e até tenta vender algumas que opera na Espanha. Seus lucros vêm principalmente das atividades nos mercados físicos de cobre.

A Trafigura tem sondado clientes em todo o setor e as respostas deles apontam para um raro aumento na demanda em toda a Europa e nos EUA, mesmo antes de os pacotes de estímulo à infraestrutura ecológica entrarem em vigor. Na Europa, a demanda no primeiro trimestre teve crescimento de quase 5% em relação a um ano antes, marcando uma virada em relação às taxas deprimidas de expansão da indústria durante grande parte da última década. (Bloomberg)

Categorias:Meio ambiente, Mundo

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