Relatório HRW denuncia as “atrocidades” cometidas em Apure pelas forças de Maduro

A organização Human Rights Watch denunciou as execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias e torturas cometidas em Apure pelas forças de segurança do regime de Nicolás Maduro

Um novo relatório da Human Rights Watch (HRW) destaca os “abusos aberrantes” cometidos por agentes das forças de segurança do regime de Nicolás Maduro contra a população do estado de Apure, durante operações contra grupos armados na fronteira com a Colômbia. 

HRW assinala que a ofensiva começou em 21 de março, quando diferentes forças de segurança venezuelanas executaram pelo menos quatro camponeses, realizaram prisões arbitrárias, julgaram civis em tribunais militares e torturaram residentes acusados ​​de colaborar com grupos armados. 

“Esses casos seguem um padrão semelhante ao dos abusos sistemáticos das forças de segurança do regime que levaram a investigações internacionais sobre possíveis crimes contra a humanidade na Venezuela”, destaca o texto. 

José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da Human Rights Watch, garante que “as atrocidades cometidas contra os residentes de Apure não são incidentes isolados por agentes insubordinados, mas são consistentes com os abusos sistemáticos das forças de segurança de Maduro”. 

O conflito armado na área de fronteira deixou pelo menos 5.800 pessoas que fugiram do estado de Apure para a Colômbia, segundo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Apesar do apoio de organizações humanitárias e das autoridades colombianas, os abrigos estão superlotados e a assistência humanitária é insuficiente.

Da mesma forma, em 5 de abril, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, anunciou a prisão de 33 pessoas que seriam processadas perante a jurisdição militar. O ministro afirmou que seis campos de “organizações terroristas” foram desmantelados e que nove “terroristas” foram “dispensados”. Também relatou oito casos de soldados mortos e 34 feridos.

A Human Rights Watch entrevistou 68 pessoas pessoalmente no departamento de Arauca e por telefone entre março e abril. Entre eles estão 38 pessoas que fugiram de Apure, além de advogados, especialistas forenses, líderes comunitários, jornalistas, autoridades colombianas locais e representantes de organizações humanitárias e de direitos humanos. A maioria das testemunhas de abuso temem represálias na Venezuela e falaram com a condição de que seus nomes ou outras informações de identificação não fossem divulgados.

A organização também examinou informações de autoridades colombianas e venezuelanas e outras evidências, bem como fotos, vídeos e gravações de áudio de ataques, saques e pessoas cruzando o rio para a Colômbia. No entanto, a Procuradoria-Geral da República e a Defensoria Pública da Venezuela não atenderam aos pedidos de informação da Human Rights Watch.

“Os venezuelanos deslocados declararam que fugiram devido aos frequentes ataques aéreos e combates entre as forças de segurança venezuelanas e grupos armados, bem como os abusos perpetrados pelas forças de segurança venezuelanas”, acrescentou o relatório. 

Além disso, apontam como responsáveis ​​pelos abusos funcionários das Forças Armadas Nacionais (FAN), das Forças de Ação Especial (FAES) da Polícia Nacional Bolivariana, da Guarda Nacional (GN) e do Comando Nacional Antiextorsão e Sequestro ( CONAS).

Os entrevistados explicaram que soldados e agentes das forças de segurança invadiram, sem mandado de busca, as casas de famílias na cidade de La Victoria e nas zonas rurais de El Ripial, Los Arenales, La Capilla e La Osa. Os residentes, a maioria camponeses, foram removidos à força de suas casas sem ordem judicial para detê-los. Os policiais ordenaram aos detidos que cobrissem a cabeça com suas camisetas e os espancassem, atirando-os ao chão e ameaçando matá-los.

As forças de segurança entraram à força em várias casas e saquearam ou destruíram pertences pessoais, alimentos e utensílios domésticos, segundo os moradores. Algumas famílias se trancaram dentro de suas casas por vários dias e depois fugiram para a Colômbia. Os que tinham dupla cidadania – venezuelana e colombiana – temiam que as forças de segurança venezuelanas considerassem isso uma prova de que tinham vínculos com grupos armados. *Informações do canal de notícias NTN24

Categorias:Américas

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