Carlos Ghosn é condenado a devolver € 5 milhões a montadoras na Holanda

A justiça da Holanda ordenou nesta quinta-feira (20) que o empresário franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault-Nissan-Mitsubishi, devolva ao braço holandês das montadoras japonesas Nissan e Mitsubishi quase € 5 milhões. 

© Joseph Eid AFP/Archivos

Este dinheiro seria um reembolso de montantes pagos a Ghosn em 2018 pela Nissan-Mitsubishi BV (NMBV), joint venture das montadoras japonesas com sede na Holanda.

Os dois fabricantes japoneses – que demitiram Carlos Ghosn em 2019, retirando-o de sua presidência, bem como de sua joint venture holandesa após sua prisão por peculato em novembro de 2018 no Japão – argumentaram que esses montantes foram indevidamente pagos.

O processo foi iniciado pelo próprio CEO deposto da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, que acreditava ter sido demitido injustamente sob a lei trabalhista holandesa. Carlos Ghosn exigiu € 15 milhões de indenização por salários e indenizações não recebidas.

No entanto, o Tribunal Distrital de Amsterdã decidiu a favor das duas montadoras japonesas, considerando que o contrato de trabalho entre Carlos Ghosn e a NMBV não era válido por não ter sido aprovado, conforme exigido pelos conselhos diretores da Nissan e da Mitsubishi.

O tribunal disse que o valor que Carlos Ghosn deve reembolsar é igual à soma líquida dos honorários que a NMBV lhe pagou entre abril e novembro de 2018.

Carlos Ghosn, que também era presidente do conselho de administração da fabricante francesa Renault no momento de sua prisão, sempre negou as acusações.

Em dezembro de 2019, ele driblou o forte esquema de segurança a que foi submetido no Japão e chegou ao Líbano, país do qual é cidadão e que não tem acordo de extradição com o Japão. Na época, o caso foi noticiado como uma “fuga rocambolesca“. 

Carlos Ghosn e sua esposa, Carole, já tiveram quase € 13 milhões de seu patrimônio e contas bancárias congelados pela Receita francesa em uma megainvestigação de sonegação fiscal.

*RFI com informações da AFP

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