EUA aliviam sanções contra gasoduto entre Alemanha e Rússia

Governo americano exclui empresa responsável por construção de Nord Stream 2 da lista de punições impostas por Trump. Decisão é vista como gesto de aproximação com Moscou, mas EUA mantêm oposição ao projeto.

Secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que isenção atende ao © Saul Loeb/Pool AFP/AP/picture alliance Secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que isenção atende ao

Em um gesto de aproximação em relação à Rússia e à Alemanha, o governo dos Estados Unidos isentou de sanções nesta quarta-feira (19/05) a empresa que atua na construção do polêmico gasoduto russo Nord Stream 2, uma imensa rede de dutos submarinos que vem sendo instalada no fundo do Mar Báltico.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, anunciou em comunicado que a isenção atende ao “interesse nacional” dos Estados Unidos, mas também advertiu que o país continua se opondo a esta construção. O anúncio foi feito pouco após o início da reunião que Blinken teve em Reykjavik, na Islândia, com ministro do Exterior russo, Sergey Lavrov. Este foi o primeiro encontro oficial entre os dois.

A empresa Nord Stream 2 AG e seu CEO, Matthias Warnig, responsáveis pela construção do gasoduto, foram beneficiados com a isenção. De acordo com a nota do Departamento de Estado, o governo americano enviou ainda um relatório ao Congresso americano com uma lista de empresas, navios e indivíduos que devem ser sancionados por suas ligações à construção do gasoduto. Os EUA vão sancionar 13 embarcações ligadas ao projeto.

“As ações de hoje mostram o compromisso do governo com a segurança energética na Europa, consistente com o compromisso do presidente de reconstruir as relações com nossos aliados e parceiros na Europa”, explicou Blinken no texto.

Oposição continua

Apesar da decisão, Blinken acrescentou que Washington continuará se opondo a este projeto, que, para ele, enfraquecerá a segurança energética da União Europeia (UE), da Ucrânia e dos países da Europa Oriental que pertencem à Otan. “Nossa oposição ao gasoduto Nord Stream 2 é inabalável. Podemos nem sempre concordar, mas nossas alianças permanecem fortes, e nossa postura está alinhada com nosso compromisso de fortalecer as relações transatlânticas como uma questão de segurança nacional”, enfatizou.

Em março, o governo do presidente Joe Biden apelou a todas as empresas envolvidas na construção do gasoduto para que “imediatamente” abandonassem o projeto, sob ameaça de sanções. Biden mantém a mesma posição no gasoduto que seu antecessor, Donald Trump, que cobrou as empresas envolvidas no projeto, em sua maioria russas e alemãs, a abandonarem as obras.

As sanções americanas contra empresas envolvidas no gasoduto foram aprovadas em dezembro de 2019 por Trump. Para justificar a punição, o governo americano alegou que o gasoduto aumentará a dependência do gás russo por parte dos europeus, e desta forma fortalece a influência de Moscou no continente.

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Além disso, Moscou poderá fornecer mais gás diretamente a seu principal comprador, a Alemanha, o que levanta o temor de que os russos terão mais facilidade para eventualmente pressionar outras nações que ficam na rota dos velhos gasodutos de superfície, podendo trancar os dutos, se quiserem.

Atualmente o gás russo tem que passar pela Ucrânia em seu caminho para os países da UE. Graças a este projeto, o gás não teria que atravessar o território ucraniano e iria diretamente para a Alemanha.

As sanções aprovadas por Trump visavam empresas que estão construindo o Nord Stream 2, no Mar Báltico, orçado em quase 11 bilhões de dólares. A medida tinha como objetivo paralisar as obras – que já estavam 80% concluídas – e acabou gerando atritos entre os EUA e a Alemanha. As punições paralisaram as obras do projeto por quase um ano.

Gasoduto polêmico

Berlim é uma das principais promotoras do projeto, que prevê dobrar a capacidade de importação de gás russo pela nação europeia sem a necessidade de que o combustível passe por nações que mantêm relações tensas com Moscou, como a Ucrânia e a Polônia. O projeto é na verdade uma ampliação da capacidade do sistema Nord Stream 1, que funciona desde 2011, e que liga a cidade russa Ust-Luga a Greifswald, no leste alemão.

Críticos da posição dos EUA afirma que a real intenção de Washington com a medida é vender mais gás natural liquefeito americano para os europeus.

Embora o gasoduto seja propriedade da estatal russa Gazprom, metade do investimento canalizado para o projeto é assegurado por cinco empresas europeias das áreas da energia e produtos químicos, como é o caso da alemã BASF, da anglo-holandesa Shell e da francesa ENGIE.

O Nord Stream 2 se tornou ainda mais estratégico para a Alemanha após Berlim estabelecer um abandono gradual da energia nuclear no país e estabelecer metas para a redução de emissões de CO2 e consumo de carvão. O gás natural produz 50% menos dióxido de carbono do que o carvão.

O gasoduto de 1.200 quilômetros de extensão deve permitir que o país dobre efetivamente o volume de gás natural que importa da Rússia. Em 2017, Berlim comprou um recorde de 53 bilhões de metros cúbicos do combustível russo, cerca de 40% de seu consumo total. O sistema Nord Stream 2 é projetado para transportar até 55 bilhões de metros cúbicos por ano.

*DW

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